Vale a pena usar aditivos melhoradores de colagem na cola de papelão ondulado?

Aditivo melhorador de colagem compensa na cola de amido para papelão ondulado? Veja por que colar ficou mais difícil, quais tipos existem no Brasil (PVA, taninos e polímeros) e como fazer a conta antes de decidir.

A onduladeira está rodando bem, a cozinha de amido entrega a cola dentro da viscosidade e, mesmo assim, a chapa sai com a capa soltando, empenada ou com colagem fraca no teste de pino. Quem trabalha com papelão ondulado conhece essa cena. Na maioria das vezes, o problema não está na receita básica da cola de amido. Está no que ela precisa enfrentar hoje: máquina mais rápida e papel cada vez mais difícil de molhar.

É aí que entram os aditivos melhoradores de colagem. A pergunta que todo gestor de produção faz é simples: eles se pagam ou são só mais um custo na formulação?

De onde veio essa ideia

Os primeiros “reforços” da cola de amido não eram produtos químicos sofisticados. Eram amidos modificados, tratados para ficar menos viscosos depois de cozidos. Lá fora, isso começou nos anos 70. Aqui no Brasil, ganhou força a partir dos anos 2000.

A lógica era boa: com um amido mais “fino”, dava para colocar mais sólidos na fase primária sem a viscosidade explodir. Mais sólidos significava mais pega inicial e melhor penetração, inclusive em papéis de gramatura alta. A onduladeira andava mais rápido e a chapa saía melhor.

O problema apareceu quando as máquinas aceleraram ainda mais e as cozinhas ficaram automatizadas. Essa cola mais carregada demorava para secar e não acompanhava o ritmo. Com o tempo, o amido modificado foi saindo de cena. Hoje é difícil encontrar uma planta que ainda dependa dele.

O que a indústria passou a exigir de um aditivo

Os fabricantes de especialidades químicas foram atrás de produtos que trouxessem os ganhos do amido modificado sem o efeito colateral da secagem lenta. Na prática, um bom aditivo precisa fazer três coisas:

  1. Controlar a água na linha de cola. A água precisa estar no lugar certo, na hora certa, para o amido terminar de gelatinizar sem encharcar o papel.
  2. Dar mais pega a verde. É a aderência dos primeiros instantes, que segura miolo e capa juntos antes da secagem completa.
  3. Ancorar melhor as fibras. Uma ligação fibra a fibra mais forte significa chapa mais resistente e menos descolamento lá na frente, no cliente.

Por que colar ficou mais difícil

Dois fatores explicam a maior parte dos problemas de colagem que vemos hoje.

Velocidade. Onduladeiras mais novas chegam perto de 400 m/min. Nessa faixa, a cola tem uma fração de segundo para penetrar, gelatinizar e começar a segurar. Não sobra margem para uma formulação “mais ou menos”.

Papel. Os papéis estão mais tratados. Colagem superficial (size), aditivos de resistência e mais ciclos de reciclagem deixam a superfície menos receptiva. A cola encontra mais barreira para entrar na fibra, e a secagem fica mais crítica justamente quando a máquina pede mais velocidade.

Junte os dois e fica claro por que só ajustar a receita de amido, soda e bórax nem sempre resolve.

Os tipos mais usados no Brasil

No mercado nacional, três famílias aparecem com mais frequência:

  • Álcool polivinílico (PVA): conhecido por reforçar a pega inicial e a formação de filme na linha de cola.
  • Polifenóis (taninos): de origem vegetal, atuam na interação com o amido e na resistência da colagem.
  • Polímeros sintéticos específicos: desenvolvidos para melhorar retenção de água, penetração e ancoragem, com dosagens geralmente baixas.

Não existe um “melhor” universal. O que funciona numa planta com papel reciclado e máquina a 300 m/min pode não ser a escolha certa para outra que roda papel kraft virgem e chapa parede dupla.

Então, vale a pena?

Vale quando a conta fecha. E a conta não é só o preço do quilo do aditivo. Antes de decidir, coloque na balança:

  • quanto de velocidade a onduladeira ganha sem perder qualidade;
  • quanto cai o refugo por descolamento e empenamento;
  • se dá para reduzir o consumo de amido ou o peso de cola aplicado;
  • o impacto no consumo de vapor e na estabilidade da cola ao longo do turno.

O caminho mais seguro é testar com método: medir a cola antes e depois (viscosidade, ponto de gel, sólidos), acompanhar a velocidade e o refugo por alguns dias e comparar com a produção sem aditivo. Sem esses números, a decisão vira palpite.

Quer saber se sua cola precisa de aditivo?

A equipe técnica da HB Soluções & Laboratórios pode avaliar a sua cola de amido e o cenário da sua onduladeira para mostrar, com dados, se um aditivo faz sentido e qual tipo tem mais chance de dar retorno. Fale com a gente pelo WhatsApp ou pelo formulário de contato e agende uma avaliação técnica.

Compartilhe

Postagens relacionadas