Tratamento de água em frigoríficos: onde estão as maiores perdas?

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Tratamento de água em frigoríficos: onde estão as maiores perdas?

Frigoríficos operam com volumes elevados de água distribuídos entre higienização, geração de vapor, sistema de resfriamento e tratamento de efluentes.

Esse consumo não se concentra em um ponto específico da planta. Ele se fragmenta em usos repetitivos, correções operacionais frequentes e recirculações com baixa estabilidade de parâmetros.

Em instalações onde a água entra com variação de qualidade e retorna ao sistema com alta carga orgânica, ajustes cotidianos passam a se acumular.

Higienizações sem controle de vazão, purgas definidas por rotina, torres de resfriamento operando com concentração instável e estações de tratamento reagindo a picos de gordura e sólidos ampliam o volume total movimentado, mesmo quando a produção permanece estável.

No tratamento de água em frigoríficos, esses desvios raramente aparecem de forma direta nos indicadores produtivos.

Eles se manifestam na necessidade recorrente de correções químicas, no aumento da frequência de limpeza, na geração irregular de lodo, na oscilação de condutividade e no consumo energético associado à reposição e ao aquecimento de água que já circulou pela planta.

A HB Soluções atua em frigoríficos onde o consumo cresce sem alteração proporcional da carga produtiva, avaliando a configuração hidráulica, os pontos de uso, os regimes de operação e os critérios de descarte adotados ao longo da instalação.

Como a água entra, circula e sai no frigorífico

A água ingressa no frigorífico com variação natural de qualidade, dependente da fonte de captação, do regime de abastecimento e das condições sazonais.

Após o tratamento inicial, ela é distribuída para higienização, lavagem de áreas, geração de vapor, resfriamento e serviços auxiliares, cada qual com exigências distintas de qualidade e frequência de reposição.

Ao longo da operação, o consumo não ocorre de forma contínua.

Turnos de produção, paradas para limpeza, lavagens concentradas de equipamentos e picos de uso em horários específicos fragmentam a utilização da água em ciclos curtos e repetitivos, com variação simultânea de vazão, temperatura e nível de contaminação.

Essa água retorna ao sistema carregando sangue, gordura, sólidos finos e resíduos de limpeza, em proporções que mudam ao longo do dia.

O volume direcionado à estação de tratamento passa a depender menos da produção nominal e mais da forma como a água foi usada, corrigida e descartada nos diferentes pontos da planta.

Dentro do tratamento de água em frigoríficos, essa circulação fragmentada cria uma relação direta entre uso operacional, carga orgânica gerada e quantidade de água tratada diariamente, mesmo quando o nível de abate permanece constante.

É nesse encadeamento que se acumulam ajustes químicos frequentes, reposições sucessivas e ampliações de vazão que passam a fazer parte da rotina.

As maiores perdas no tratamento de água em frigoríficos

Higienização e lavagem de áreas

  • Uso contínuo de mangueiras sem controle de vazão em pisos, equipamentos e áreas de processamento
  • Limpeza baseada em tempo de exposição à água, não em carga removida
  • Ausência de gatilhos automáticos, bicos eficientes ou padronização de pressão
  • Repetição de ciclos de lavagem por qualidade de água inadequada, gerando mais espuma e maior necessidade de enxágue
  • Transporte de resíduos orgânicos por arraste hídrico durante a limpeza, elevando o volume direcionado à ETE

Currais, pátios e lavagem externa

  • Lavagem de currais e áreas externas com uso prolongado de água potável
  • Operação sem setorização hidráulica, concentrando grandes volumes em poucos pontos
  • Consumo elevado fora dos horários de produção, sem controle por turno
  • Arraste de esterco, solo e sólidos grosseiros diretamente para o sistema de drenagem
  • Aumento da carga hidráulica e sólida no pré-tratamento, exigindo maior diluição
  • Baixa utilização de água de reúso para áreas sem contato com produto

Utilidades: caldeira

  • Purga definida por rotina, sem ajuste fino por condutividade ou sólidos dissolvidos
  • Perda de água já tratada associada à purga excessiva
  • Reposição frequente de água fria, elevando consumo energético para aquecimento
  • Instabilidade na qualidade da água de alimentação, gerando correções químicas recorrentes
  • Descarte contínuo de condensado por contaminação não monitorada
  • Ausência de controle integrado entre qualidade da água, purga e reposição

Utilidades: torre de resfriamento

  • Perdas por evaporação, inerentes à operação térmica
  • Blowdown elevado por controle inadequado de concentração
  • Reposição de água superior à necessária para manter equilíbrio do sistema
  • Crescimento microbiológico exigindo correções químicas frequentes
  • Operação sem medição contínua de condutividade e ciclos de concentração

ETE: instabilidade e geração de lodo

  • Entrada de efluente com variação brusca de vazão e carga orgânica
  • Pré-tratamento com remoção insuficiente de sólidos e gordura
  • Flotação operando fora do ponto, gerando lodo de difícil separação
  • Aumento do volume de lodo primário e secundário
  • Necessidade frequente de diluição para manter estabilidade operacional
  • Consumo adicional de água em lavagens corretivas e manuseio de lodo

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Custos associados à instabilidade do uso da água no tratamento de água em frigoríficos

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A maior parte das perdas se acumulam em linhas distintas de custo, distribuídas entre água de reposição, insumos químicos, energia térmica e gestão de resíduos no tratamento de água em frigoríficos.

Água de reposição: Em muitas plantas, o volume captado cresce por ajustes sucessivos não rastreados, como correções na ETE, compensações hidráulicas em utilidades e reposições fora do ponto.
A ausência de balanço hídrico diário dificulta relacionar consumo com produção, criando desvios cumulativos no tratamento de águas industriais em frigoríficos.

Produtos químicos: A variação da água de entrada e do efluente força dosagens reativas em flotação, biológico, caldeira e torre. O consumo de coagulantes, alcalinizantes, sequestrantes e biocidas passa a responder à instabilidade.

Energia térmica: Cada metro cúbico descartado por purga, blowdown ou diluição carrega energia incorporada ocorrendo o aumento do consumo específico de gás, vapor e eletricidade por tonelada abatida.

Gestão de lodo: Oscilações operacionais elevam a geração de lodo primário e secundário, exigindo mais água para condicionamento e desaguamento, com reflexo direto em logística e destinação ambiental.

Exposição regulatória: Variações frequentes em DQO, DBO e óleos e graxas levam à adoção de diluições operacionais como prática recorrente, elevando o volume tratado e pressionando o sistema hidráulico.

Indicadores que colocam o frigorífico sob controle

O controle do consumo passa pelo fechamento diário entre volume captado, volume reposto, volume descartado e produção realizada.

Esse fechamento permite identificar deslocamentos graduais de consumo que não aparecem em medições pontuais.

A literatura técnica indica consumo direto entre 1,6 e 9 m³ por tonelada abatida, utilizado como faixa de referência técnica para confrontar os próprios m³/t operacionais.

Quando esse indicador se altera sem variação proporcional de produção, o desvio tende a estar associado a diluições recorrentes, ajustes hidráulicos sucessivos ou perdas distribuídas ao longo da planta, e não a aumento efetivo de carga.

Nas utilidades e na ETE, a leitura exige correlação entre variáveis operacionais.

Blowdown, purga, condutividade, ciclos de concentração, DQO, DBO, óleos e graxas e volume de lodo gerado precisam ser avaliados em conjunto para separar aumento de carga orgânica de simples ampliação de volume tratado.

Em torres de resfriamento, operar na faixa de 3 a 6 ciclos de concentração, com controle por condutividade, reduz reposição e descarte sem intervenções manuais contínuas.

No tratamento de águas industriais em frigoríficos, esse acompanhamento sistemático reduz correções repetidas, estabiliza consumo hídrico e diminui a recorrência de ajustes químicos e energéticos ao longo dos turnos.

Ajustes operacionais para o tratamento de água em frigoríficos

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Na rotina industrial, a redução de perdas acontece quando a planta passa a enxergar a água por função, e não como um único fluxo.

Separar higienização, utilidades e ETE permite atuar onde o volume realmente cresce, evitando ajustes amplos que aumentam vazão, descarte e água tratada sem retorno operacional.

A HB Soluções atua nesse nível de operação em tratamento de águas industriais, atendendo frigoríficos e diversos outros segmentos.

Com mais de 20 anos de experiência, a empresa integra controle operacional, ajustes técnicos em utilidades e ETEs e análises laboratoriais, apoiando plantas que buscam redução de perdas, estabilidade de consumo e menor dependência de correções constantes.

O primeiro passo é entender como a água da indústria frigorífica está sendo usada hoje.

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